segunda-feira, 23 de outubro de 2006

A nova(?) praga da escola

Não! Desta vez não estou a falar de piolhos!
Estou a falar de crianças, infelizmente.

Eu sou defensora acérrima dos direitos das crianças. Todas são iguais independentemente de côr, raça, estatuto social, beleza, etc, etc, etc.
É com muito dor, muita mágoa, muita sensação de ser mesquinha e rude, que vou escrever estas palavras.
Eu não sou má . Estou apenas revoltada.
Há crianças nas escolas que são uma autentica praga.
Antigamente, quando eu andava na escola primária (1976/1980), o terror eram os miúdos ciganos. Pessoalmente não tive más experiências, a menina cigana que foi minha colega durante poucas semanas era simpática. Desenhava a cara da Heide impecavelmente. Cantava no circo com a mãe, os irmãos e o pai eram palhaços, uma deles chamava-se Martelo.

Elvira.
Se por passares por aqui, diz qualquer coisa. A minha menina adora a Heide e eu ainda não aprendi a desenha-la.


Agora há miúdos que no recreio da escola se dedicam a esmurrar os outros miúdos, sob o olhar impávido e sereno de professores e auxiliares.
Na reunião de pais pensamos em proibir de almoçar no refeitório da escola quem pusesse em risco a segurança dos coleguinhas. Seria uma solução, ou aprende a comportar-se ou quem o fez que o ature. Mas não pode ser. Por coincidência (ou não), os meninos maus são aqueles que tem dificuldades, que são carenciados, que a única refeição de jeito que comem é aquela que lhes dão de graça na escola. A escola é OBRIGADA a dar alimentação a essas crianças. Tudo bem, eu concordo mas... e a segurança dos outros?
Se eu fosse carenciada a minha filha tinha direito a:
Comer na escola de graça.
Esmurrar as fuças dos outros gaiatos.
Chamar puta, cabrona e outros mais à professora e auxiliares e mandar todos para todos os “tais sítios” para onde se pode (mas não se deve), mandar alguém.
Como não sou carenciada a minha filha apenas tem direito a tentar safar-se no meio da selva.

Recadinhos:
Para os adultos que assistem impávidos e serenos:
estou convosco, possivelmente teria que fazer o mesmo se estivesse na vossa situação. Sei que também teem filhos para criar e também vocês teem que sobreviver no meio da selva.
Para os senhores que ditam as leis das escolas:
em que escolas estão os vossos filhos? Experimentem colocá-los numa escola pública sob a capa do anonimato. Só assim poderiam sentir na pele o que muitos pais portugueses sentem.
Para os meninos maus:
Lamento por vocês, meus amores. São talvez as principais vítimas. E o pior é que nem sequer teem a sorte de serem rebeldes por excesso de mimo. Também são vitimas da falta de mimo e por vezes até de amor.
Para os pais preocupados como eu:
Não digo nada, pois se também não sei o que dizer a mim própria...
Para os pais dos meninos maus que são excepção:
Perdoem-me a injustiça. Não me refiro a todos. Apenas a alguns.
Para os pais dos meninos maus que NÃO são excepção:
Também não digo nada, pois infelizmente, com vocês nem conversar se consegue.
Para quem leu e compreende a minha aflição:
Talvez fosse melhor para vocês se não entendessem. Teriam mais paz.
Para quem leu e não compreende a minha aflição:
Que bom para vocês. Eu também gostava de não ter motivos para me preocupar.

Esclarecimento:
Os meus filhos ainda não foram vitimas, mas as situações criticas estão ao rubro.
Tudo pode acontecer a qualquer hora.

Sei que não sou mãe perfeita, nem as há.
Sei que não tenho filhos perfeitos, nem os há.
Sei que educar é difícil e nem sempre conseguimos o que queremos.
Sei que se hoje são uns anjinhos, amanhã podem ser uns diabinhos.
Sei que quem tem filhos nunca poderá dizer desta água não beberei.

Sei. Sei. Sei.
Compreendo tudo (ou quase tudo), o que tiverem para me dizer contra o que escrevi.
É por isso que me sinto tão mal com as minhas próprias palavras.
É só um desabafo que cobardemente descarrego na net, onde ninguém me julgará cara a cara.

1 Comments:

Blogger Sandra J. said...

Bem, também andei na escola ao mesmo tempo que tu e realmente eram os ciganos os problemáticos embora eu adorasse a cigana que estudava na minha escola.
Isso agora está realmente mau!
Nem sei o que dizer.
Bjs

24 outubro, 2006 16:09  

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