segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Raízes

Sozinha contra o mundo

Sinto-me uma inadaptada à sociedade em vários aspectos.
E não me venham com cantigas porque não é SÓ uma questão de idade.
Há assuntos que começaram em mim, ainda primeiro que a adolescência.
Neste momento aquele que mais me revolta é a questão das raízes.

Há “muito, muito tempo” eu queria uma menina loirinha, de cabelos lisos e de olhos verdes.
A minha menina tem olhinhos cor de castanha, cabelinhos do mesmo tom e nos seus cabelinhos compridos ainda se notam alguns caracóis.
A minha menina é a mais linda do mundo e eu adoro-a.

Há “muito, muito tempo” eu achava que só queria meninas e se tivesse algum menino o seu cabelinho seria liso para cortar em “tigela”.
O meu menino tem coracolinhos cor do sol e olhinhos de amêndoa. Não o trocava por outra menina.
O meu menino é o mais lindo do mundo e eu adoro-o.

Tudo pode mudar, tudo muda, mas a questão das raízes continua viva.

O nome. O nome de cada um, ilustra de certa forma as suas raízes.
O nome próprio, apelido da mãe, apelido do pai. Ok. Perfeito.

Então porquê só usar um dos apelidos?
Que direito teem os outros de falar o nome dos meus filhos omitindo a minha marca? A minha que sou a mãe?

Quando uma mulher tem um filho e não tem certeza de quem é o pai, é obrigada a fazer uma “lista” de possíveis para fazer análises e descobrir. Não sei se é a regra para todos mas já “vi” casos assim.
E a mãe? A mãe que nem sequer precisa de detective para ser encontrada, essa ... essa parva pode perfeitamente ser apagada no uso do registo das suas raízes?
Não foi o meu caso, mas se tivesse sido era isso que me estaria a acontecer agora?

Quando a catequista leu o nome da minha menina só com o apelido do pai a minha vontade foi dizer-lhe com todas letras.
Todos nós sabemos (sendo crente ou apenas por uma questão de cultura, não é isso que está em causa), que Nossa Senhora Imaculada foi concebida sem pecado.
Nossa Senhora sim, o meu marido não.
O pai da minha filha não é Imaculado e ela tem mãe de carne e osso. E essa mãe sou eu, pourra! Bonita ou feia, gorda ou magra, velha ou nova, inteligente ou estúpida não interessa, mas SORTUDA por ser MÃE daquela menina.

Dizem-me que é universal, que é mais prático. Não me interessa. Se eles próprios um dia resolverem banir do próprio nome quem os trouxe ao mundo porque dá muito trabalho dizer o nome todo, tudo bem. Tudo bem não, tudo mal, mas aceito, terei que aceitar. Mas outros... os outros vão para o raio que os partam, não se metam.

Sei que estou sozinha contra o mundo. Eu sei. Mas não me interessa. Acho que tenho o direito de não ser omitida do nome dos meus filhos. Ou então por que carga de água é que no registo me deixaram registar os gaiatos com 4 nomes?
Se é para usar metade não era preciso pô-los todos. Ainda se fosse alguma grande remessa...
Não espero compreensão.
Apenas o devido respeito pela opinião de cada um.

3 Comments:

Blogger docinho said...

E tens razão... tu és mãe... cada um sabe de si... chega de ter sempre alguém a dar opiniões!

beijos revoltados

16 outubro, 2006 19:49  
Blogger Ana said...

Nao estas sozinha contra o mundo.
Eu tambem acho que o nome da familia da mae eh tanto ou mais que o do pai, porque MAE nos sabemos quem eh, o pai....quer dizer...as vezes nao.
Por isso mesmo era mais logico o nome de familia da mae ser o principal.
Tenho dito!!!!!

16 outubro, 2006 22:50  
Blogger rosachok said...

Não estás nada sozinha... e não é universal... Na maior parte dos países de origem espanhola o nome do pai vem primeiro e o da mãe depois (são sociedades Mater ;)
Temos que nos manisfestar... trocar isto :)

Beijinhos de outra mãe

17 outubro, 2006 11:32  

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